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A DEPRESSÃO, O VILÃO DA INFÂNCIA.

13 de mar. de 2020
4 min de leitura

Atualizado: 28 de mar. de 2020



Em Pernambuco, a insociabilidade infantil atinge 16,4% da população. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é um problema prevalente na população atingindo mais de 350 milhões de pessoas. É possível afirmar que depressão está propensa tanto em adolescentes, adultos, idosos e até mesmo em crianças.


A depressão infantil vem aumentando consideravelmente, e atinge cerca de 180 milhões de meninos e meninas no mundo. Em Pernambuco, aproximadamente 16,4% de crianças frequentando o nono ano do ensino fundamental se sentiram sozinhos na maioria das vezes ou sempre, e 4,1% não têm amigos próximos, de acordo com dados do IBGE divulgados em 2015.


Depressão Infantil e seus principais sintomas


A criança tem um processo de desenvolvimento natural, mas é importante ficar atento ao comportamento nesse período de crescimento para identificar o que faz parte realmente dessa fase e o que pode se encaixar em um quadro depressivo. A psicóloga Luciene Gomes destaca que o mais esperado para uma criança é interação, que não apresente nenhum tipo de transtorno do neurodesenvolvimento ou de ordem genética que interfira no desenvolvimento normal. Os pais devem ficar atentos e observar se criança vem mostrando um comportamento no qual esteja evidente que ela parou de sentir prazer e felicidade naquilo que normalmente ela gostava de fazer, como: brincar, assistir, conversar com os pais e colegas. Se a criança começou a chorar com uma determinada frequência ou comportamentos ansiosos, como sentir dores de barriga e febre inesperada para ir a escola. E acrescenta “São traços que vão conotar que tem alguma coisa interna na criança, que não tá bem e que precisa de atenção.”


Saber diferenciar um comportamento de crescimento e um comportamento depressivo na criança é importante para que os pais busquem tratamento o mais rápido possível, para que futuramente a criança não sofra piores consequências.

Relacionada a outras questões, Luciene pontua que a depressão é desencadeada por múltiplo fatores, podendo ser por fatores ambientais e orgânicos. Com isso, quando se destaca os fatores orgânicos em relação a doença, a psicóloga enfatiza a insuficiência de vitaminas, longo período de internação e alguma restrição alimentar que impeça a criança de ter algum desenvolvimento, ou um déficit nutricional significativo.

Os fatores biológicos está ligada a genética do indivíduo, quando aquele sujeito não produz substâncias suficiente para dar a sensação de prazer e bem-estar. O que não é comum em uma criança, por isso, é importante destacar mudanças de escola e casa, perda de um ente querido, alguma doença orgânica ou deficiência nutricional. Então, são pequenos detalhes que pode ocasionar uma mudança no comportamento e devem sempre ser observados.


Ambiente escolar e familiar.


De acordo com a psicóloga Rafaella Couto, alterações dos neurotransmissores e neuroreceptores podem acabar influenciando os fatores genéticos a desenvolver uma depressão, ressaltando que também pode ocorrer por fatores hereditários. Além disso, conflitos em casa pode fazer com que a criança passe a desenvolver depressão. Segundo Luciene Gomes, às crianças, diferente dos adultos, quanto mais novas, elas absorvem mais a sensação de culpa. Os pequenos não tem maturidade emocional suficiente para entender que uma separação conturbada ou brigas constantes, por exemplo, são problemas dos pais e não delas. É normal se sintam culpadas por algo que eles não tem culpa. São situações complicadas e conflituosas que podem ocorrer dentro de casa que pode gerar comportamentos depressivos nos menores.

Segundo Luciene, um dos principais causadores da depressão infantil está na escola, que também está ligado a relação familiar e fatores genéticos. Outro fato importante para pontuarmos é, uma criança que apresenta um comportamento de aversão a escola porque quer está em casa, no seu conforto familiar, esses comportamentos são por muitas vezes por elas enfrentarem o bullying no ambiente escolar, onde o problema se dá por várias características, dentre elas de uma forma tão sútil que nem o profissional escolar, que convive diariamente com a criança, consegue perceber.

A psicopedagoga Laudjane Ferreira diz que o bullying ainda é um dos principais causadores da depressão infantil nos dias de hoje. As ameaças contém uma agressão velada, assim, tanto na escola quanto em outros ambientes, vai se formando grupos e deixando aquela criança de fora, os deixando constrangidos, e com isso, a criança cria uma aversão de tal ambiente. Com isso, é importante a conscientização das escolas em promover campanhas humanitárias, envolvendo crianças e famílias com o intuito de alertar sobre os cuidados uns com outros, o respeito e a inclusão social é uma das formas para evitar o bullying tanto em ambiente escolar quanto familiar. Somado a isso, é de uma grande importância que todas as escolas tenham um psicólogo e um psicopedagogo, para evitar que a depressão infantil venha a crescer.

Por fim, a depressão pode se dar por vários fatores significativos, vai muito além de uma tristeza prolongada, podendo até mesmo ser tão sutil, que quando passa a ser perceptível, a depressão já esteja em estado avançado. É preciso ter um olhar atento para cada comportamento que fuja do padrão da normalidade, sabendo identificar o que é os sintomas da depressão e o que é a fase de crescimento de uma criança.


 
 
 

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